quinta-feira, 13 de Março de 2008

Hoje vou fazer um Peter Griffin. Não pode ser de outra forma. É mais estúpido e menos integro do que o Homer. É perfeito na sua decadência.

Deu o Scarface na televisão. Nunca tinha visto o filme. Gostava de ver com mais cuidado. Enchorrilho americanão dos pirosos anos 80. Palmeiras e falsos cubanos.

Escrevi: Two wrongs don't make a left.
Acho que é uma distorçãozinha tão simples e maldosa.

O meu vizinho tem uma serralharia. Saí de casa e cruzei-me com uma mesa redonda, uma pequena mesa redonda com uma toalha até ao chão. Surrealismo de trazer pela serralharia.

Uma senhora idosa, à porta do lar, ao sol. Um calor esmagador. Parada ao sol. Encasacada. Grande, enorme, gigante anorak rosa. Ou salmão. Ou de xadrez. Não percebi por causa do sol.

Há papelinhos rasgados, cuidadosamente depostos em sobre a caixa do gás, na escada do prédio.

Ao lado da porta de entrada. Na ombreira, colados no mármore, estão sete papéis de senhores limpa chaminés. Por alguma razão lembro-me sempre da Mary Poppins.
Cada etiqueta está mais torta do que a outra - suponho que seja por os telhados serem inclinados e quando andam a direito, já os limpa chaminés não conseguem apontar a horizontalidade de nós, os poisados.

Tenho uma mala na mala do carro. Não tem nada. Gosto tanto de a transportar para todo o lado. Sinto que estou de férias.
No outro dia no Cacém um agente parou-me, mostrei-lhe o triângulo e ele perguntou com uma cara desconfiada o que eu tinha na mala. A mala tem um ar suspeito. Adorei.
Fiz uma cara de preocupado. Disse a sorrir mas muito nervoso: Não tem um corpo desmembrado isso é de certeza!

Colherada de açúcar amarelo. Hmm, que bom. Mesmo como me dava o avô Alfredo. Procurava uma bolinha de açúcar com uma colher de chá - não resisto. No supermercado cheiro o açúcar. É como estar novamente na Ajuda.

Vi um senhor com um fetiche por spanking. Estava a dar palmadas insanas, num tapete. O porco.

Hoje disse uma piada acerca do Sócrates. Estou arrependido e não volto a fazer. Prometi ao Juíz.

Jantei num restaurante mexicano. Disse à empregada que eramos dois e que não somos fumadores. Mas graças à ASAE isso agora já interessa a ninguém. Já não temos nada a partilhar com a malta da restauração. Voltei a tentar: - Somos dois e gostamos de passear em sítios calmos, no campo, nas dunas. - Nada, a ASAE tirou a possibilidade de contacto!

Este fim de semanda vou para a praia. Está frio. Se levar fato de banho vai ser debaixo dum anorak rosa ou salmão.

Hoje comi uma pastilha de morango. Peta Zetas.
Hoje um senhor foi mal educado para com uma outra pessoa à minha frente.
Hoje colei uma pastilha num senhor.

Por pouco que pisei uma poia. Não era cocó. Eram umas cuecas.
Refaço a minha frase.
Hoje quase pisei umas cuecas... manchadas de cocó.
Na rua esta tarde quase que pisei resíduos daquilo que já referi. Umas de senhora. É complicado. Porque uma senhora não mancha a roupa interior com cocó. E nunca as deitaria fora.
Afinal o que é que eu quase pisei?

Tenho muitas vezes frio na parte mais fofa.

Dia internacional não sei do quê

Longe vai o tempo em que gostava de contar os segundos.
Acordo a pensar no que me apetece fazer. Levanto-me a custo da cama e bebo um café. Ligo o rádio e abro a janela. Nunca sei se quero abrir primeiro a janela ou ligar o rádio.
Começa a conversa. Escolho a música As time goes by.

Espreito o email. Fico sempre com uma ansiedade desconfortável. E se me entra o mundo pela caixa de email? E se perdi oportunidades incríveis porque não vi ontem o email. Raios parta este nervosismo!

O barril de petróleo hoje bateu todos os recordes. Parecem olimpíadas. O barril está caro. Ainda bem que não estou a pensar em comprar nenhuma pipa de petróleo.

Olho para o meu poster do Woody Allen. O título diz Woody days. É assim que me sinto. Tenho tido muitos Woody days. Será que tenho Woody days por causa do poster ou será que estou só a precisar de sair?

Reparo num quadro que precisa de um toque. Riscos brancos. Não, riscas. Riscos associo-os aos desenhos, riscas às riscas dos padrões listados.

Tomo banho a ouvir música. Punk parvo da adolescência. Já não sou adolescente há uns anos, mas as bandas ficam.

Sms. Pequenos nadas apaixonados pelas mensagens do telefone.

Envio emails para conhecido italiano que mora em Paris. Tenho saudades de Paris. É tão boémia a minha Paris.

Gelatina de morango com colher pequena, que pérola esta.

Vejo um Pollock pingado no chão. Esse gajo havia de ser um bom conversador. Será que havia de gostar de alguma coisa do que se faz agora?

A capa do jornal das artes tem uma ilustração. Curioso. É fresco. A biografia costuma ser uma coisa de que gosto. Mas o convidado de hoje tem três fotos. Uma em criança outra em viagem e uma de rosto alçado como um herói consagrado. Parece uma lambidela no ego mais que festinhas no lombo! Rio baixinho.

Amarelo é fácil. Gostoso. Como uma planta que nasce sem se querer. Fácil de pôr em tudo. Em todo o lado. Preciso de mais amarelo.

Passeio-me por aqui.